Análise | Ana Borges na Selecção: lateral ou extremo?

Fonte: zimbio.com

É um do assuntos mais falados pelos adeptos que seguem a selecção nacional feminina. 

Ana Borges tem sido utilizada regularmente na selecção como lateral mas, para grande parte da opinião pública, esta é uma adaptação que não se justifica. Muitos preferiam que a internacional voltasse a actuar na sua posição de origem, no caso, a extremo. 

A verdade é que esta não é uma adaptação recente, nem levada a cabo por Francisco Neto. Ana Borges começou a ser utilizada como lateral-direita ainda quando jogava em Inglaterra ao serviço do Chelsea. A técnica das blues na altura viu em Borges a velocidade, garra e competência para a adaptar a defesa e "ganhar" uma lateral e, a verdade, é que conseguiu. A jogadora portuguesa não compromete e cumpre bastante bem a posição de defesa, ajudando nas tarefas defensivas e apoiando o ataque. Mas não é isso que está em causa na selecção nacional.

Actualmente a jogadora portuguesa actua no Sporting, ocupando a posição de extremo em todos os jogos. Dessa forma, Ana Borges apenas joga a lateral na selecção, acabando por não criar rotinas na posição de defesa-direita (com excelentes exibições, nem parece que joga a defesa em tão poucos jogos).

Uma das possíveis justificações para o recuo no terreno, poderia ser a qualidade no sector mais ofensivo e, face ao papel preponderante de Ana Borges na equipa, o técnico Francisco Neto não querer colocar a jogadora no banco e adaptá-la a uma realidade que já conhecia. É que, como extremos, temos jogadoras que dão bem conta do recado como Jéssica Silva, Ana Leite ou até Diana Silva, caso a selecção nacional jogue num 4x3x3 e a avançada descaia para a ala.

Outra das justificações seria a falta de opções para o lado direito da defesa, algo que não acontece... de todo. Com esta adaptação, Matilde Fidalgo, uma das melhores defesas portuguesas, foi relegada para o banco, passando de titular, a opção pouco regular. E há ainda Rita Fontemanha, titular na maioria dos jogos no Sporting, mas que não é opção para o seleccionador nacional.

Desta forma, um regresso de Ana Borges à posição de raiz não significaria uma redução de qualidade no sector defensivo, já que temos alternativas e seria um "upgrade" no ataque, já que Ana Borges está acostumada a essa posição mais ofensiva, sendo um elemento bastante desequilibrador e decisivo nas tomadas de decisão lá na frente, como tem sido no Sporting.

Apesar de tudo, esta é uma opção técnica do seleccionador Francisco Neto que, pudemos até não concordar, mas devemos respeitar, até pelo facto de ser uma adaptação que não tem sido prejudicial ao rendimento da equipa.

E tu? Concordas com esta adaptação de Francisco Neto ou preferias ver a jogadora portuguesa a jogar a extremo?